Sleeping Beauty

[2020] Casa das Artes, Porto

Na possibilidade de expor obras em vitrines, podendo pensar cada uma como o caixão de vidro da Branca de Neve, surgiu-me esta ideia de uma vida latente, de um sono à espera de ser interrompido para um pleno regresso à vida.

Por aproximação conceptual, o título desta exposição acabou por ser “Sleeping Beauty” como se estas obras de diferentes datas, incluindo telas recentes mas também um nu feito nas aulas da Escola de Belas Artes e nunca exposto, o primeiro desenho que emoldurei quando, aos 14 anos, cheguei à conclusão que era ou ia ser artista e um vídeo mudo da minha mão em movimento, na alusão literal à dimensão manual, artesanal de toda a obra, da própria artesania dos jogos conceptuais.

Estas vitrines estreitas e longas são por vezes estreitas demais para as obras que aqui expõem e, por isso, estas surgem inclinadas, adaptando-se como podem ao espaço.  E estão nas vitrines sobretudo por nelas ainda caberem, mesmo à custa de condições ideais de exposição. Até porque, antes de estarem nestas vitrines para se exporem, estas obras estão nas vitrines para nelas estar. Caber nelas será o suficiente, dormindo nelas como “Sleeping Beauty”, não propriamente “Bela Adormecida”, mas sim “Beleza adormecida”.

E para cada obra, parecendo ser insuficiente a largura da sua vitrine, esta sobra sempre em extensão, campo para as imagens se expandirem em desenhos que serão prova da vitalidade destas, ou vermes que as devoram por fora como se o fizessem por dentro.